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Sobre Continuar Escrevendo Mesmo Sem Garantias

  • rafamininel
  • 11 de fev.
  • 1 min de leitura

Escrever sempre foi parte da minha vida, mesmo quando isso não tinha nome, projeto ou ambição editorial. Desde cedo, percebi que colocar palavras no papel não era apenas uma atividade criativa — era uma forma de organizar pensamento, lidar com emoções e entender melhor o mundo.

 

Com o tempo, a escrita deixou de ser só expressão e virou também construção. Vieram histórias maiores, projetos mais ambiciosos, personagens recorrentes, ideias que pediam continuidade. Nem sempre houve retorno proporcional ao esforço. Aliás, na maior parte das vezes, não houve.

 

E isso levanta uma pergunta inevitável: por que continuar?

 

A resposta não é heroica nem romântica. Continuo escrevendo porque acredito na qualidade do que produzo, mesmo quando a visibilidade é pequena. Porque já vi textos meus emocionarem pessoas, ainda que poucas. Porque sei que a construção literária é, muitas vezes, lenta e irregular. E porque parar por falta de aplauso significaria terceirizar completamente o sentido daquilo que faço.

 

Não ignoro o desejo de reconhecimento. Todo escritor quer leitores, diálogo, impacto. Mas também aprendi que a ausência temporária disso não invalida automaticamente o trabalho. Às vezes indica apenas fase, contexto ou timing.

 

Hoje escrevo com menos ingenuidade, talvez com mais realismo. Não abandono a ambição, mas também não dependo exclusivamente dela. Escrevo porque faz parte de quem sou — e porque algumas histórias simplesmente não aceitam ficar em silêncio.

 

Se um dia isso ganhar mais alcance, ótimo. Se não, ainda assim terá valido a pena construir algo verdadeiro.

 
 
 

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